Ways of Being – Animals, Plants, Machines: The Search for Planetary

Bridle, James

Ways of Being – Animals, Plants, Machines: The Search for Planetary

2022 London
Penguin

James Bridle é escritor, artista e filósofo com um interesse particular na influência da tecnologia na vida contemporânea. Tendo um mestrado em Ciência Computacional e Ciência Cognitiva pela University College London, os seus textos que exploram temas como literatura, cultura e redes têm sido publicados em diversas revistas e jornais de renome, incluindo The Guardian, Frieze, Wired, Domus, The Atlantic, New Statesman e Financial Times. Além disso, escreve uma coluna regular no jornal britânico Observer. Bridle, que utiliza os pronomes they/them, é também conhecido pela criação do projeto de investigação New Aesthetic, que inspirou debates significativos e influenciou diversas criações artísticas. O seu trabalho tem sido amplamente reconhecido, tendo recebido uma Menção no Prix Ars Electronica em 2013 e novamente em 2023, além de um Prémio de Excelência no Japan Media Arts Festival em 2014. Foi igualmente distinguido com uma Menção Honrosa no CERN COLLIDE em 2016 e foi finalista do Future Generation Art Prize em 2014. No mesmo ano, conquistou o prémio de Design Gráfico do Ano do Design Museum. Para a BBC Radio 4, Bridle escreveu e apresentou New Ways of Seeing, uma série em quatro partes sobre arte e tecnologia.

O seu livro Ways of Being, publicado em 2022, explora as interseções entre tecnologia, ecologia e inteligência “mais-que-humana.” Organizado em nove capítulos – “Pensar de outra forma,” “Redes subterrâneas de árvores (Wood Wide Webs),” “O emaranhado da vida,” “Ver como um planeta,” “Conversar com estranhos,” “Máquinas não-binárias,” “Aceitar o aleatório,” “Solidariedade,” e “A internet dos animais” –, investiga abordagens alternativas para entender a inteligência e a consciência. Bridle questiona o conceito de inteligência como algo exclusivamente humano e desafia o leitor a considerar a inteligência como algo partilhado por seres e sistemas não humanos que coabitam o planeta. 

O livro explora questões como: Que mundo “mais do que humano” nos envolve? Quais são as formas de ser, ver e fazer desses outros seres? O que podemos aprender com eles para transformar as nossas estruturas sociais, tecnológicas e políticas? O autor sugere que esse conhecimento pode levar-nos a uma sociedade mais igualitária e a uma relação mais justa com o mundo natural e não humano.

O livro também explora a complexidade dos sistemas de comunicação e cooperação na natureza, como as redes subterrâneas de árvores, que funcionam de maneira análoga a redes de comunicação. Bridle argumenta que observar estes sistemas pode inspirar novas abordagens para entender a tecnologia e a inteligência, destacando que a inteligência artificial, com frequência vista como “artificial,” pode também ser uma continuação da inteligência natural, desenvolvendo formas de aprendizagem e de interação com o mundo ao seu redor. Além disso, desafia preconceitos enraizados sobre o que significa “ser inteligente” e sugere que expandir a nossa compreensão de inteligência pode abrir um caminho para uma coexistência mais harmoniosa com o mundo não humano: “Se quisermos realmente apreciar em que pode consistir a inteligência não humana – e assim transformar a nossa compreensão das nossas próprias capacidades e das dos outros – temos de deixar de pensar na inteligência como algo definido pela experiência humana. Em vez disso, temos de pensar, desde o início, na inteligência como algo mais do que humano. Acontece que há muitas maneiras de ‘fazer inteligência’.” 

Bridle desafia assim o antropocentrismo e propõe uma ética de interconexão, incentivando-nos a cultivar uma relação mais profunda e respeitosa com os ecossistemas que nos rodeiam. Segundo o autor, para respondermos às mudanças globais e ao risco de colapso ecológico é fundamental aprender com as formas como animais e plantas se adaptam e sustentam continuamente. Esta aprendizagem implica uma reavaliação da inteligência, expandindo o conceito para incluir modos de vida não humanos — animais, plantas e até sistemas algorítmicos — que percebem e interagem com o mundo de maneiras diversas. Ao longo do livro são apresentadas sínteses acessíveis de investigações científicas atuais, abordando temas complexos de forma cativante. Embora o livro tenha um lado técnico, é enriquecido com referências a tradições não ocidentais e ao conhecimento indígena, mostrando que esses sistemas de saberes há muito reconhecem a importância de modos de pensamento não humanos.

Uma crítica que aponto ao livro é a ausência de propostas práticas. Embora o autor desenvolva conceitos e ideias interessantes, estes revelam-se complexos de traduzir em mudanças políticas e sociais concretas. A inclusão de exemplos mais tangíveis e aplicáveis poderia conferir ao livro um impacto mais direto e cativante na sua leitura, facilitando a compreensão de como essas ideias poderiam efetivamente ser implementadas no nosso quotidiano. 

A meu ver, a perspetiva de Bridle pode ter relações diretas para o design gráfico, já que, à semelhança do que ele propõe, esta disciplina do design envolve criar sistemas de comunicação adaptativos que transcendem as linguagens convencionais. Assim como Bridle defende que as formas de vida não humanas possuem sistemas de “inteligência” próprios, que comunicam e criam conexão, o design gráfico procura traduzir ideias complexas em formas visuais eficazes. Tal como Bridle nos convida a expandir a nossa percepção de inteligência e interconexão, também se pode sugerir que o design se abra a formas de comunicação que sejam mais sensíveis ou abertas ao contexto e ao público. Na perspectiva do design, essa abordagem ecológica e inclusiva propõe um design mais consciente e sustentável, valorizando práticas que promovam uma comunicação visual acessível e empática. Ao ampliarmos a nossa compreensão do que significa comunicar e conectar, inspiramo-nos na prática de design que se alinha aos princípios de sustentabilidade e responsabilidade, refletindo a visão de Bridle para uma sociedade mais justa e interligada.

Recensão de:
Rita Afonso

Licenciatura em Design de Comunicação, FBAUL

Disciplina: Estudos em Design, 2023-24

Desplaça cap amunt
Esta web utiliza cookies propias para su correcto funcionamiento. Contiene enlaces a sitios web de terceros con políticas de privacidad ajenas que podrás aceptar o no cuando accedas a ellos. Al hacer clic en el botón Aceptar, acepta el uso de estas tecnologías y el procesamiento de tus datos para estos propósitos.
Privacidad